Por: Bruna Bozano
Exigido nos países do Mercosul, o seguro Carta Verde tornou-se peça-chave para motoristas brasileiros que dirigem fora do país. Entenda como funciona, o que cobre e por que sua falta pode custar caro.
Viajar de carro para países vizinhos é um hábito crescente entre os brasileiros. As rotas que ligam o sul do país à Argentina, ao Uruguai e ao Paraguai atraem tanto turistas quanto profissionais que fazem do volante uma extensão do trabalho. Mas há um detalhe burocrático que ainda passa despercebido por muitos: o seguro Carta Verde. Exigido por lei para veículos estrangeiros que circulam em países do Mercosul, o documento é mais do que uma formalidade — é uma garantia de proteção financeira e legal em caso de acidentes.
O que é a Carta Verde
A Carta Verde é um seguro de responsabilidade civil internacional, criado para assegurar que motoristas estrangeiros tenham cobertura para danos materiais e corporais causados a terceiros fora do seu país de origem. Ela funciona como um equivalente do seguro obrigatório nacional, mas adaptado para viagens internacionais dentro do bloco.
Na prática, o documento cobre despesas médicas, hospitalares e jurídicas de terceiros afetados em um acidente causado pelo veículo segurado. Isso significa que o motorista não precisará arcar sozinho com indenizações ou custos de reparação — o que pode ser altíssimo, especialmente em países onde o câmbio é desfavorável ao real.
Onde é obrigatória
A Carta Verde é obrigatória para circular na Argentina, Uruguai, Paraguai e Chile — este último, embora não seja membro pleno do Mercosul, adota a exigência para veículos estrangeiros que cruzam sua fronteira terrestre. Em outros países sul-americanos, como Bolívia e Peru, há sistemas equivalentes de seguro de fronteira.
Sem o documento, o motorista brasileiro corre o risco de ter a entrada negada na aduana ou, em casos mais graves, ser multado e ter o veículo retido até a regularização.
Como contratar
A contratação pode ser feita diretamente em seguradoras ou por meio de corretoras especializadas em viagens internacionais. O processo é simples: basta apresentar os documentos do veículo, a CNH e informar o período e destino da viagem.
O valor do seguro varia conforme o tempo de permanência.
Na Real Seguros, os valores (em novembro de 2025), são:
- 01 a 03 dias: R$ 46,00
- 04 a 07 dias: R$ 86,00
- 08 a 15 dias: R$ 142,00
- 16 a 30 dias: R$ 212,00
- 31 a 45 dias: R$ 295,00
- 46 a 90 dias: R$ 391,00
- 91 a 365 dias: R$ 499,00
O que a Carta Verde cobre — e o que não cobre
- Cobertura incluída: danos materiais e corporais causados a terceiros; despesas jurídicas; custas processuais e hospitalares.
- Não cobre: danos ao próprio veículo do segurado, roubo, furto ou colisões sem terceiros envolvidos.
É possível, no entanto, contratar coberturas adicionais, como seguro de assistência 24h e guincho internacional — um diferencial importante em viagens longas ou regiões isoladas.
Importância legal e financeira
Além de obrigatória, a Carta Verde evita transtornos diplomáticos e financeiros. Um pequeno acidente em Montevidéu ou Buenos Aires, por exemplo, pode gerar custos de milhares de reais em reparações. Sem o seguro, o motorista deve arcar com tudo — e responder judicialmente.
Com o crescimento do turismo rodoviário pós-2023, especialmente nas rotas Porto Alegre–Punta del Este e Foz do Iguaçu–Assunção, a fiscalização tem se tornado mais rigorosa. Em 2025, a Polícia Rodoviária uruguaia registrou aumento de 17% nas autuações de estrangeiros sem o documento.
Um símbolo de integração
Mais do que uma exigência burocrática, a Carta Verde é também um símbolo de integração regional, nascida para harmonizar as normas de trânsito e seguros entre países vizinhos. Ela garante segurança jurídica e confiança, incentivando o turismo por terra e o comércio transfronteiriço.
Viajar com a documentação em dia é mais do que evitar multas — é respeitar as regras e proteger a si mesmo e os outros.
